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Triangulo dramático e jogos psicológicos

Além das varias significações simbolicas do triângulo como trindade dos deuses pai, filho e espirito santo, início, meio e fim, corpo alma e espirito
O triângulo para além dessas interpretações também é usado para representar o triângulo dramático que é uma das formas de contar histórias. Nossa vida é como histórias (dentro de histórias) que se repetem, e nós somos um dos personagens desse triângulo dramático em que  assumimos umas das posições como vítimas, opressor e herói.

Sempre estaremos em uma dessas posições podendo variar em determinadas situações em que assumimos um papel diferente do que estavamos e por essa confusão de papeis que surgem os jogos psicológicos.

O herói então, é aquele que adotou como posição existencial básica, sentir-se superior às pessoas e para tanto, ele precisa ajudá-las quando elas não estão pedindo ou precisando de ajuda. Pode ser entendido como superproteção. Um exemplo disso é quando uma pessoa faz algo para outra, não por carinho ou eficiência, mas para, de forma subliminar, mostrar que sabe fazer melhor e para cobrar mais tarde algo em troca. Porque todo herói é um opressor em potencial.

O opressor é aquele que está sempre "julgando" e cobra de forma veemente, crítica e autoritária, muito além do necessário. O extremo disso chama-se assédio moral. Pessoas que são massacradas diariamente, perseguidas ao ponto de prejudicarem a sua saúde física, em face da freqüência e intensidade de um relacionamento com este padrão,(papel historicamente e fundamentalmente imposto a mulher) e agora com o movimento feminista estão reagindo no sentido de se fazerem respeitar através da comunicação ou através da justiça comum. A Posição existencial do opressor também é, geralmente, a de superior às demais pessoas, mas também pode ocorrer desta posição ser apenas  a fachada. Ou seja, no fundo, o opressor sente-se tão inferior que ele precisa se fazer superior através da posição de opressor.

A posição de Vítima é aquela onde a pessoa nunca fez nada para merecer nada. Ela não assume a responsabilidade pelos seus atos. Ela fez assim porque o outro fez assado. Se ela erra, vai buscar uma justificativa sempre no outro. Quando as pessoas falam sobre ela, costumam colocar sempre a palavra coitada no meio da frase: “a fulana, coitada,.não tem boca pra nada...”. E assim a Vítima se protege, usando uma bengala para não ser chamada a pensar e a agir com autonomia nem para responder pelos seu atos.

Desde os primórdios contamos histórias, como uma forma de deixar para o futuro um registro da memória e passar as nossas experiências pela necessidade de guardar as informações, já que a mente não é estática como uma fotografia mas dinâmica, e ouso comparar a um animal faminto que não pode ver a informação na sua frente querendo sempre consumir e ter novas aventuras. E a mídia nós alimenta com essa ânsia por informação pois quanto mais informações mais possibilidades nós aprendemos e passamos por isso a todo momento com as novelas mostrando como deve ser os padrões de vida e dizendo como deve ser a realidade ou os telejornais nos pondo como vítimas de uma violência que só aumenta e mostrando a policia e o judiciário como o herói.

O jogo psicológico acontece quando a pessoa que está numa posição do Triângulo, muda de posição, confundindo o interlocutor. O final disso é sempre uma sensação de mal estar, uma briga, um bater de portas.

Por exemplo, o herói cansa de salvar e num determinado dia, cobra de forma exagerada e agressiva, passando então para a Posição de Opressor. Em seguida, a mesma pessoa pode entrar na posição de Vítima, e dizer de forma melodramática que ninguém tem dó dela, que as pessoas a exploram, que ninguém está interessado em fazer nada por ela, quando isso não é real.

E por que as pessoas jogam ou por que as pessoas entram no Triângulo Dramático?

Há várias razões. A principal delas é: para evitar intimidade. Ou seja, pessoas que não desenvolveram seu potencial para amar se assustam quando estão diante de pessoas que não escondem cartas na manga, onde possa haver uma rica troca de afagos, uma amizade autêntica e profunda. Isso as assusta por ser uma forma de relacionamento que não foi introjetada, não foi aprendida. (Pretendo escrever com mais detalhes sobre essa assunto para não ficar tão extenso).


São pessoas que aprenderam o amor de troca, de barganha e se sentem vulneráveis diante de uma proposta de comunicação onde não há armadilhas. Elas não acreditam que isso possa acontecer, devido às suas experiências, seu histórico, suas mensagens introjetadas pela mídia muito cedo na vida.

Podemos sair do triângulo dramático?

Quem entrou no Triângulo Dramático pode e deve sair dele, se quiser viver com tranqüilidade e qualidade nas suas relações interpessoais. Desenvolver uma comunicação direta, com honestidade, falando o que realmente sente, e que tipo de relação gostaria de contruir assumindo suas fragilidades mas não se pondo no papel de Vítima. Isso significa não jogar.
Geralmente, quando passamos por um período de fragilidade emocional, a pessoa pode entrar num jogo, cair no Triângulo, mas se ela ficar atenta, e pensar de forma inteligente saberá sair rapidinho e resgatar a comunicação saudável, voltando para a Posição Existencial de bem estar.

Quem está na Posição de herói , pode aprender a sair dela deixando de ajudar quem não pede ou não precisa ser ajudado, acreditando na capacidade das pessoas de existirem com autonomia e acreditando que pode ser amado pelo que é e não apenas pelo que faz pelas pessoas. Digo sempre para os Salvadores: “vá se divertir!”, “cuide de você!”.

Para sair da Posição de Opressor, a pessoa pode utilizar seu tempo e sua energia para considerar o todo das pessoas e não apenas as suas falhas ou erros pois todos temos defeitos mas também inúmeras qualidades. Pode também buscar uma forma de se sentir importante, pode construir sua existência de glória sem necessidade de destruir o que já foi construído. Pode exercer seu poder sem humilhar ou denegrir as qualidades dos outros. Pode apontar erros ao invés de criticar duramente.

Para sair da Posição de Vítima, a pessoa pode exercitar seu pensamento lógico. Como eu posso cuidar de mim? O que eu posso fazer por mim? De que forma posso resolver isso sozinha? Desistir de ter bengalas, de estabelecer simbioses permanentes com as pessoas que estão sempre prontas para respaldar suas deficiências e buscar o fortalecimento de seus pontos fracos, é o caminho.

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